Arquivo mensal: janeiro 2013

Defiance, Ohio – Share What Ya Got

Uma das piores sensações, como fã de música, é saber que uma de suas bandas favoritas nunca vai tocar no seu país. Não falo de bandas defuntas ou daqueles clássico “banda X muito famosa nunca mais volta”. Essas no fundo, ou são justificáveis ou só um pessimismo exacerbado. Agora, saber que as chances daquela banda que você adora vir para sua cidade ou mesmo país são minúsculas é realmente ruim. Defiance, Ohio infelizmente vive me proporcionando essa sensação.

Formada em 2002 na cidade de Bloomingtoon, Indiana – desculpe, mas não, ela não é de Ohio – a banda é parte do selo Plan-It-X, uma gravadora com uma forte mentalidade de DIY (do it yourself, para os que não conhecem a abreviação) e de anti-capitalismo. Ainda que no fundo a gravadora não importe tanto, esses ideais estão bem claros em todo o trabalho do Defiance, Ohio. Todas as letras compostas pelo grupo, acompanhadas de maneira bem crua por violinos, baixo, bateria, guitarra, violoncelo e banjo, tendem a recorrer a essas ideias de  anti establishment.

Portanto, não é de se impressionar que o disco Share What Ya’Got não fuja do padrão. A questão é que ele não precisa. As letras desiludidas que falam de não poder mais sonhar, de esquecer o erro que é a vida moderna e de perder a paixão por trás de um mundo de concreto -todas palavras deles- encaixam perfeitamente com a atmosfera amadora – só nas aparências – de punk country auxiliado de violino.

A produção, por mais amadora que pareça – novamente, não é – encaixa perfeitamente essas contradições aparentes. Se, naturalmente, a mistura de punk, o gênero anti tradição, com violoncelos, instrumento associado a música erudita ou tradicional, parece estranha, em SWYG ela é completamente natural. Não só pela produção, mas também, como já havia dito, pela crueza da banda.  As letras, disparadas as partes mais agressivas do som deles, permitem que todo o disco tenha uma aura de verdade. Não absoluta, mas verdade idealizada, honesta.

Contudo, esse assunto limitado incomoda um pouco. Não pelo extremismo, que é direito de qualquer um, mas pela repetição exaustiva. Nada que faça detrimento do disco, mas chega sim a incomodar um pouco.

Reforçando a questão da instrumentação, posso destacar duas coisas: Como, apesar da atmosfera, os instrumentistas não são nem um pouquinho amadores e de como a banda consegue transitar tranquilamente de melodias alegres, suaves até outras bem mais agressivas e tensas em poucos segundos sem perder a compostura. Talvez, diria eu, seja por conta do violino e do violoncelo que sempre se mantém no mesmo timbre mais rápido, alegre que estabelece uma base a variação sonora dos outros instrumentos.

Ainda assim, se comparada a essas novas bandas de folk-punk que encheram a internet na última década – Andrew Jackson Jihad, This Bike Is A Pipe Bomb, O Pioneers!, Ghost Mice e outros – Defiance, Ohio continua sendo a minha favorita. Isso vinde um fã do gênero. Talvez seja pela variedade maior dos instrumentos, talvez seja pelo vocal que me agrada ou talvez seja pela culpa de não ser tão engajado quanto os membros da banda. Certeza só tenho de que Share What Ya Got é um dos meus discos favoritos.

PS: O baterista da banda é o vocalista do Nana Grizol, outra das minhas bandas favoritas.
PS2: O vinil vem com um encarte que parece uma fanzine, bem na pegada da banda.
PS3: é melhor que o Xbox360, haters.

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Griffin House – Flying Upside Down

A mágica linha que define os gêneros ou estilos musicais nem sempre é clara. De vez em quando ela pode parecer muito sintética. Outras, orgânica demais. Isso é normal, afinal ainda não a descobrimos, só damos a nossa interpretação de como ela seria. Aliás, nunca descobriremos nada nesse nível, pois sabemos que perfeição não é com o homem.

Ainda assim, alguns discos parecem esquecer essa história de divisão perfeita e misturam doses iguais e heterogêneas de dois gêneros. Griffin House faz mais e junta não só o country e o rock, mas também o pop.

Claro, o resultado – como já era de se esperar – não é exatamente um álbum experimental digno de ser o Trout Mask Replica do século XXI. Mas é um disco aconchegante e alegre, pessoal e tocante. O que uma experiência dessas deveria resultar, afinal de contas.

O disco “Flying Upside Down”, lançado em 2007, não é nem de longe o primeiro da carreira de Griffin. Contudo, foi minha primeira oportunidade de conhecer-lo. Entre um violão claramente country, solos de guitarra e uma banda inteira e, pra finalizar, refrãos pegajosos, FUD é claramente misturado. Mas é de uma mistura que, a principio, reflete os gostos e inspirações de Griffin, ou seja, não parecem experimentações forçadas apenas para adicionar um pretenso “tempero” ao som.

Sem muita enrolação, Griffin já começa a demonstrar seu lado mais emotivo no álbum. A maior parte das músicas é romântica ou num ponto de vista apaixonado ou de coração apertado. Contudo, nem todas as músicas seguem assim. A destaque do álbum, Its Happening Again, fala sobre como os Estados Unidos repete o erro de mandar constantemente seus filhos à guerras – muitas das quais nem lhe tocavam – pelo ponto de vista de um filho e neto de soldados.

As outras músicas, ainda que normalmente boas, acabam não se destacando. Nenhuma delas “gruda” em sua cabeça ou você se pegará cantando por ai, mas sempre as terá em memória quando as ouvir de novo. Não que isso seja ruim, mas é uma característica importante dos discos pop, o que esse é em muitos momentos.

Apesar do tom das letras ser sóbrio o do álbum como um todo não é. Com clara influência da música pop, a maior parte das canções é composta de melodias crescentemente alegres e refrão semi pegajoso. Porém, é justamente essa mistura que permite o álbum escapar de uma cara padronizada. Ao aliar os esteriótipos do pop alegre, das baladas românticas e tudo que existe no meio, o disco se permite ser ligeiramente diferente. O que, sejamos sinceros, é muito nos dias de hoje.

Por isso, não hesitaria em recomendar Griffin House para ninguém que goste de pop ou simplesmente esteja procurando um artista novo. Contudo, qualquer um que esteja procurando algo mais profundo ou diferente, continue na busca. Esse é mais um álbum que provavelmente você vai gostar e só. Sem muito demais ou de menos. Mas para aqueles que estão precisando de uma música de semi-fossa, fica mais interessante que Ne-yo.

Como sempre, gostaria de lembrar a todos de curtir nossa página e grupo no facebook! Lá postamos coisas novas – vídeos e fotos em sua maioria – todos os dias. Além disso, segue o streaming no grooveshark.

Black Moth Super Rainbow (e um pequeno informe)

Antes de qualquer coisa, gostaria de colocar no papel (ou na tela) algumas coisas: sinto muito que a Garagem tenha perdido a sua certa frequência de posts, parte da culpa disso é minha, pois mesmo nas horas que eu podia escrever eu preferi fazer outras coisas. Queria agradecer a todos os nossos novos “curtidores” da Garagem no Facebook, conseguimos com algumas “estratégias de marketing” dobrar o nosso número anterior, espero que todos vocês continuem presentes no Facebook e agora que eu planejo essa “retomada” da Garagem fiquem presentes acompanhando o blog também.

O tempo passou e a Garagem tá quase fazendo um ano, agora em fevereiro a Garagem (apelidada de LA GARAJE) completa seu primeiro ano de vida. Mas esse melodrama todo de aniversário a gente deixa para outro momento. Para agora,

Show do BMSR

Show do BMSR

vamos ficar com uma tentativa nova de postagem (que já foi feita pelo Gabriel), vou falar não de um disco em especial mas sim de uma banda: Black Moth Super Rainbow.

Esse nome totalmente bizarro já dá uma base para entender a loucura que é o som deles. Diretamente de Pittsburgh, Black Moth Super Rainbow (BMSR) é um projeto experimental de música pop e psicodélica. Desde a sua formação em 2003, todos os seus discos foram lançados de forma independente. Agora em 2012, eles lançaram um disco com ajuda de crowd funding pelo Kickstarter.

Ainda que reconhecida na cena psicodélica/experimental, BMSR nunca foi uma banda que “estourou”, ainda mais que os membros preferem se manter distanciados da mídia. Eles então acabaram criando uma aura, por assim dizer, de mistério em torno de suas identidades e de seus projetos.

Essa imagem orquestrada por eles serve para complementar o seu som, que é basicamente o abuso de equipamentos eletrônicos analógicos (o vocoder e o mellotron sendo os mais presentes), distorções, reverb, vozes agudas até o talo e graves impactantes, criando assim uma trilha sonora perfeitamente psicodélica que te joga dentro de uma viagem de cogumelos e DMT.

BMSR tem uma história muito prolífica de lançamentos, começando com o disco Falling Through a Field, Black Moth Super Rainbow (antes conhecida por Satanstompincaterpillars) começou uma viagem que se mantém até hoje. Meus destaques para esse disco são as faixas I think its beautiful that you are 256 colors too e Dandelion Graves. Em 2004, eles já lançam o disco Start a People que contém duas faixas do primeiro disco.

Versão de pelúcia do disco Eating Us

Versão de pelúcia do disco Eating Us

Em 2007 porém, eles lançam o seu álbum mais importante e de maior reconhecimento, Dandelion Gum. As primeiras edições em vinil até vinham com uma capa que tinha cheiro de chiclete! Nesse disco as faixas que eu acredito que mereçam mais destaque são: Fore

ver Heavy, uma faixa de abertura extremamente ácida que já provoca os ouvidos de quem está escutando. Outras duas faixas seriam Lollipopsichord e Sun Lips que foi a primeira música do BMSR que virou clipe (assista ao clipe logo mais abaixo).

E agora chegamos na história mais recente de Black Moth Super Rainbow, com o lançamento de seus últimos dois discos, Eating Us e Cobra Juicy de 2009 e 2012 respectivamente. O álbum de 2009 novamente reflete a excentricidade da banda, pois as primeiras edições vinham embaladas em um pacote de pelúcia. Cobra Juicy, o álbum mais recente, também teve sua excentricidade: ele vinha acompanhado de uma máscara de laranja. Nesse último disco nota-se uma prevalência do pop em detrimento do psicodélico, em faixas como Windshield Smasher, Hairspray Heart e Gangs in the Garden essa transição fica bem evidente.

Então aí está, Black Moth Super Rainbow. Ainda que tenha se tornado mais pop, as influências psicodélicas e as letras que tratam de um “descolamento” do mundo continuam presentes no som deles. Não posso esquecer também de comentar dos  projetos solo dos membros (que não são raros), sendo um bom exemplo o líder da banda, Tobacco, que já lançou uma série de discos, singles e remixagens.

Colecionável do disco Cobra Juicy

Colecionável do disco Cobra Juicy

Esse formato de texto é relativamente novo para mim então gostaria de receber um feedback de vocês leitores. A participação de vocês é muito importante para que nós possamos saber o que fazer e o que não fazer.

Como de praxe segue o link da nossa página no Facebook: http://www.facebook.com/garagemsuburbana

E também o soundcloud da banda, onde você pode ouvir um monte de faixas do BMSR e do Tobacco: https://soundcloud.com/black-moth-super-rainbow

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