Arquivo mensal: dezembro 2012

Sufjan Stevens – Illinois ou Come On Feel the Illinoise

Serei sincero: sou bem atrasado, em especial se tratando de música. As vezes por desleixo, mas na maioria das vezes por achar que se trata de hype, deixo de ouvir muitos álbuns que “todo mundo” já ouviu. Só nesse ano já foram alguns; Tame Impala, Kendrick Lamar e Godspeed you! lançaram novos álbuns os quais eu nem ouvi uma faixa sequer. Esses, porém, são artistas que eu conheço e que, bem ou mal, já sei o que esperar. O problema maior é deixar passar um álbum de algum artista que eu não conheça. Pois, vejam assim, por não conhecer-lo fica muito difícil lembrar de um dia voltar a ele. Infelizmente, isso aconteceu entre mim e o magistral Sufjan Stevens.

Antes de começarem a achar que não tenho a mínima noção de música recente, já digo que sim, eu conhecia Sufjan Stevens. Afinal, os seus álbuns são favoritos de boa parte da comunidade hype do nosso mundinho. Justamente por ter esse conceito em minha mente, de que se tratava de mais um artista indie sem sal, deixei os seus discos de lado. Hoje, alguns anos depois, tenho que dizer que queimei minha língua. Sufjan Stevens é, sem dúvida, um grande artista e Come on feel the Illionoise! é um épico musical.

Composto de  22 faixas, o disco se assemelha a uma colagem de estilos. A sobreposição calculada de folk, pop, country e rock demonstram o domínio que Sufjan possuí sobre sua construção musical. Isso não é de se espantar, levando em conta a versatilidade de Sufjan como músico, tendo domínio de instrumentos do tradicional violão, ao piano e o xilofone. Além de grande músico, também é um talentoso lirista.

Ao abordar temas envolvendo o conceito do estado de Illinois e outros que tratam de introspecções próprias, ele consegue desenvolver bem sua imagética musical. Variando de canções mais animadas – Come on! Feel the Illinoise! – até baladas tristonhas – John Wayne Gayce Jr – todas as músicas parecem assombradas pelos fantasmas do próprio Sufjan. Em “Chicago”, não há como não perceber a própria incerteza do artista no momento em que diz “I’ve made a lot of mistakes, in my mind”.

Esse misto de autobiografia com álbum conceitual traz uma aura especial ao disco. Ao mesclar os temas, trazendo sempre uma grande parte de si, mesmo em um disco sobre um estado que lhe é “estranho”, temos um trabalho que é geral e ainda assim personalizado.

Outro detalhe importante da caracterização musical do disco é a progressão. Durante várias das músicas do álbum, é fácil perceber o crescer ou diminuir do ritmo, a entrada do clímax – muitas vezes acompanhado do surgir de novos instrumentos – ou uma passada para repetição instrumental. Com essa marcação bem clara, o álbum começa a tomar uma forma épica, maior do que individualmente cada músico ali parece realizar.

No fim das contas, “Come on” é um disco grandioso musicalmente e intimista liricamente. Com uma semi orquestra o acompanhando, com melodias intrincadas e seguimentos épicos, Sufjan quebra expectativas e trabalha com letras introspectivas, talvez até tímidas; passando pela história de um serial killer que sofreu abusos indo até por questões de sua própria religiosidade. É um álbum ambicioso feito em uma época de certa falta de escopo, de busca da grandeza. Um clássico numa era de bandas indies xerocadas.

Para não perder o hábito, ai segue o link de stream no grooveshark! Também segue a nossa página do Facebook, onde nós trazemos notícias e músicas quase diariamente!

Etiquetado , , , , ,