Arquivo mensal: setembro 2012

John Legend & The Roots – Wake up!

John Legend já é um artista consagrado. Sem dúvidas, os Roots também são. O que levaria então essas duas forças da black music a fazer um disco juntos de covers? Claro, qualquer colaboração desse gabarito já é encarada com felicidade, mas ainda assim, porque não um disco de inéditas? A resposta é longa, mas justa.

Inspirados pela campanha eleitoral do atual presidente americano, Obama, John Legend e seus futuros colegas resolveram fazer um álbum que pudesse incentivar intelectualmente e socialmente seus ouvintes. Instigar e incitar a participação crítica na política. Os Roots já tiveram sua cota de trabalhos “socially aware”. Aliás, são muito reconhecidos por isso. Já Legend não é tão conhecido nesse mundo da música engajada. Mesmo assim ambos resolveram reunir forças.

A ideia de fazer um disco de covers surgiu logo no início do trabalho. Mas não foram escolhidas músicas aleatórias, muito pelo contrário. Todas as músicas reinterpretadas foram escolhidas pela sua pertinência na mensagem e sua relevância musical. Algumas delas, aliás, são clássicos tristemente esquecidos do soul. E as versões novas não ficam para trás das já estabelecidas.

Todas as versões foram executadas com sentimento e alto nível instrumental. Os arranjos, aliás, são o ponto alto do disco. Trazendo uma nova camada de hiphop, R&B e neo soul para  músicas mais antigas, o disco inova mesmo sem músicas inéditas. E isso em boa parte graças aos Roots, figuras já carimbadas na história da música americana, justamente por essa mistura. Essa produção de primeira, somada à voz suave e ainda assim potente de John Legend tornam esse disco ótimo sem sequer levar em consideração sua mensagem.

Não é sem falhas, porém, que o álbum caminha. Por vezes o disco acaba se arrastando demais. Seja por falta de coesão – afinal são covers, não foram criadas para serem tocadas em uma ordem específica – seja por pura similaridade entre as músicas, por vezes os sons se desgastam um pouco. Além disso, a idade das músicas acaba pesando. Claro, a nova roupagem do álbum é das mais competentes possíveis, mas mesmo assim não conseguem estar junto do mais vanguardista ou moderno no gênero.

Sem a necessidade de criar, a banda pode então, aperfeiçoar. Os instrumentistas, todos muito qualificados, não escreveram nenhuma das músicas, mas conseguiram trazê-las aos nossos tempos sem muitas perdas. A nova camada sonora é bem perceptível em apresentações ao vivo, onde a banda consegue se soltar mais e trazer um tom de improvisação ao álbum.

No geral, o disco é interessantíssimo. Seja para conhecer clássicos do soul e de quebra tê-los com uma nova tomada ou para revisitar músicas que lhe sejam interessantes, o álbum é ótimo. A mensagem política, ainda que mais definida à realidade americana, é também válida e dá outra camada de profundidade ao álbum. Recomendo à todos os amantes de soul e r&b.

8.5

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