Samuel Úria – Nem lhe tocava.

Na terrinha também há rock. E folk. Os exemplos mais antigos são até ligeiramente conhecidos por nós, tupiniquins. Xutos e Pontapés e Rui Veloso, afinal de contas, já tocaram no Rock In Rio. Só que o que nos interessa nesse batpost e nesse batmomento é o novo lá em Portugal.

“Dar graças por dormir tão pouco
E tão descansado”

E Samuel Úria é um desses novos artistas. No final dos seus vinte ou começo dos trinta, o gajo é do colectivo Flor Caveira, o mesmo de outros como B.Fachada, e já têm certa experiência; com 5 cds lançados, Samuel não é exatamente um novato. Em “nem lhe tocava”, Samuel já exibe maturidade sonora e até mesmo certa experimentação entre gêneros.

Passando por rock, pop – e até fado – o álbum tem no folk um claro foco. Começando já com a música que dá nome ao disco,  ouvimos uma balada íntima e honesta que é , sinceramente, uma das melhores que ouvi nos últimos anos. E é nessa pegada, variando entre momentos “muito calmos” e “só calmos” é que o disco se desenvolve.

Com uma abordagem musical simples – destaque absoluto para a voz e o violão – o ponto forte do álbum é a sua virtuose lírica. Água de colônia da Babilônia é uma pequena confissão religiosa exclamando saudades à terra prometida. A faixa homônima – ela novamente – é um pequeno monólogo barra perfil de rede social.

O single, “Não Arrastes o meu caixão”, é uma pequena suíte pop, destacando-se novamente em sua lírica (sempre acompanhada pela voz suave de Úria). E ainda que o álbum soe ligeiramente similar,  vejo nisso um sinal de consistência e não repetição (uma linha bem tênue).

Ser uma perspectiva
Ter um disco falhado
Fazer contas à vida
Prestar contas ao fado

Mesmo remetendo à figuras variadas da música folk, Úria consegue fazer algo suficientemente diferente para se destacar. O seu sotaque, bem bonito, não é sua única diferença para a maior parte dos cancioneiros desse mundo. Seu andamento nas músicas, muitas vezes beirando as canções de ninar, acabam embalando e entorpecendo nossas mentes nos momentos mais propícios.

Um cantor assumido das vertentes mais caipiras da música “Sou neo-retro-redneck.”; Samuel não se limita ao ar campestre e consegue imprimir toda uma noção cosmopolita as suas músicas. Quer seja por cenários de fundo para suas breves estórias, ou até mesmo na sua maneira de falar, percebe-se com bastante facilidade que o rapaz – ou gajo – não é o tradicional cantor folk. Um verdadeiro neo-retro-redneck, afinal de contas.

Força a ser reconhecida, essa nova geração de músicos portugueses vêm se mantendo junto das tendências mundiais, ainda que sem muita identificação aos sons mais tradicionais da terrinha – o que não ocorre no Brasil. Caberá ao tempo avaliar os frutos desse grupo, mas já é claro que Samuel Úria não é apenas mais um dentre os outros patrícios de Lisboa.

Nem lhe tocava não é uma revelação, mas é um trabalho bem polido e tocante. Apesar de não ser o primeiro nem o melhor em nada, sem dúvidas Samuel Úria é um grande músico e compositor e tem tudo para dar ainda mais do ótimo que já vem dando.

8

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Um pensamento sobre “Samuel Úria – Nem lhe tocava.

  1. herculanoabreu disse:

    Gostei muito da resenha e da dica. Excelente cantor.

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