Enrico Pieranunzi – Permutation (2012)

   Enrico Pieranunzi é um dos maiores e melhores nomes do jazz atualmente. Nascido na Itália do pós-guerra, Pieranunzi concilia muito bem o toque clássico com o jazz europeu e, é claro, as influências de jazzístas memoráveis ao piano; tais como Bill Evans e McCoy Tyner (pianista da formação clássica do quarteto de John Coltrane).

Em Permutations, seu mais novo trabalho, Enrico se junta ao baixista Scott Colley e ao jovem baterista Antonio Sanchez (jovem, porém impressionante. Deixo a indicação de seu primeiro álbum solo: ‘Migratio’, de 2010) para criar um grande trabalho que conta somente com composições próprias de Pieranunzi.

Ouvindo esse disco, percebemos o quão introsado o trio está. Com arranjos incríveis e uma ótima conversação entre os instrumentos, percebe-se a inspiração fluindo pelos três…Álbum profundamente marcado pelo post-bop, como podemos sentir desda primeira faixa:


“Strangest Consequences”, abre de forma maestral o disco. Ótimo exemplo de uma cozinha eficiente, composta de uma bateria pulsante (característica presente em todo o álbum) e uma base de baixo que acrescenta uma sobrevida ao solo de piano.


Mais post-bop nos aguarda nas próxima faixas; destaco a segunda. Com uma linda frase de piano, Pieranunzi nos mostra como usar as duas mãos em uma canção de somente três instrumentos. Parece-me, em alguns casos, que ele tem mais do que duas mãos. Em todo caso, são duas, que valem por muitas!


Após três “pancadas” sonoras, vem a apaixonante “Distance From Departure”. Primeira balada do disco. O baixo se sobressai nessa faixa nos apresentando um solo rico em vida e emoção. Destaco a bateria de Sanchez e as baquetadas contínuas nos pratos.

O álbum segue sem perder a beleza em momento algum. Um dos momentos mais marcantes encontra-se na incrível frase principal de piano, que em sua primeira aparição, introduz ao solo de baixo em ‘Horizontes Finale’.

Outra balada cheia de sentimento nos espera em “Within The House Of Night”, com sua introdução a piano solo e, após alguns segundos, entra o baixo repetindo a melodia do piano. Bateria suave… Sanchez larga a baquete e cria um ambiente único ao fundo.

Músicas muito bonitas, melódicas, arranjos incríveis e um magnífico contraste entre músicas aceleradas e baladas essenciais (como no final de “Whithin The House Of Night” e o começo de “The Point At Issue”. Um retorno a “pancadaria” sonora inicial). Poderia ouvi-lo durante horas e falar sobre ele, não por tanto tempo, mas por mais tempo e caracteres que disponho. Portanto, fica talvez como o melhor álbum de 2012 na categoria jazz, no mesmo patamar do excelente e muito interessante ‘The Continents: Concerto For Jazz Quintet e Chamber Orchestra’, mais recente trabalho de Chick Corea.

Sendo a nota ‘10’ a perfeição, dou um 9. Pondo-o, assim, na categoria dos melhores.

Não vão esquecer de curtir nossa página no Facebook e, se assim quiserem, comentar.

Anúncios
Etiquetado , , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: