Pavement – Crooked rain, crooked rain

Todo mundo têm sua banda ou bandas favoritas. Uns gostam de tal banda pela sua habilidade técnica. Outros por sua honestidade. E quem gosta – muito – de uma banda pelo seu simples e puro desleixo? Eu realmente não sei, mas tenho a certeza de que a maioria dos fãs de Pavement o são por essa razão. Formada em m 1989, a banda não foi programada para ser mais do que um projeto de garagem entre amigos. Mas, graça aos talentos dos envolvidos, acabou se tornando uma das bandas que definiu o rock dos anos 90: relaxados e despretensiosos.

Em crooked rain, crooked rain o grupo alcança o seu auge – na minha concepção, se é que ela importa de algo – e consegue deixar o seu som juvenil um pouco mais maduro sem perder sua essência. Entre letras divertidas, bobas e tristes o álbum cria uma identidade própria. Somando isso a riffs de guitarra hipnóticos e uma alegria que exala de todos os instrumentos  você têm uma das melhores gravações da década.

Claro, como qualquer outro disco, Crooked rain (x2) tem seus pontos baixos e altos. Nas músicas mais lentas sinto uma atmosfera robótica, como se não fossem fruto das intenções iniciais da banda – não que não sejam, mas assim o parecem – enquanto nas músicas mais alegres (Cut your hair e unfair para citar duas) vejo uma produção mais honesta. Não quero dizer que alguma música desse disco é ruim – porque nenhuma é – só que tampouco vou bancar o fã incondicional para jurar de pé junto que todas são perfeitas. Mas é justamente nessa oscilação que se encontra o charme do grupo.

Cantando sobre as dificuldades da vida de um jovem adulto – que nem sempre são das mais duras – da cena musical da época, hippies e o lhe convir, Stephen Malkmus mostra novamente ser um grande letrista. Aliás, nada contra os outros membros da banda – são todos chaves importantes para o produto final – mas é em Malkmus que vejo o reflexo da banda. Mesmo hoje, mais velho e com outros projetos, vejo nele aquele mesmo jovem que só queria fazer música para falar do que achava.

Há quem diga que o som da banda é sujo – seria consequência do desleixo – mas não poderia discordar mais. Cada riff, verso ou linha de baixo se destaca sem parecer poluído. O som é polido e sem perder as suas motivações. Não há como insistir que 5-4=unity (um belo tributo ao,  já resenhado por esse humilde blog, Dave Brubeck)   não é de bom gosto técnico. Só usa desses argumentos quem tem algum problema com a própria imagem da banda, mas sinceramente, não é esse o tipo de pessoa que a banda tenta alcançar.

A primeira tentativa para pavement pode não dar tão certo. Essa, sem dúvida, é uma daquelas bandas que vai conquistando sua atenção ao longo do tempo. Só que é certo que quando menos você espera, se pega cantarolando alguma(s) das músicas desse maravilhoso álbum. Não é por nada, mas é bem difícil fazer um disco de qualidade e ainda ligeiramente pegajoso.

Por essas e outras acho Pavement uma das bandas essenciais para entender os anos noventa. Desde seu despretensão até a sua capacidade técnica, suas idiossincrasias são as mesmas da geração X. E pra completar, a banda não é fruto de apenas um álbum, mas de toda uma discografia muito boa e variada. Como eu disse, sou fã do grupo. Mas o que é um cara que gosta de música sem as suas preferências?

Ouçam aqui o stream de boa parte do disco, no Grooveshark. Aproveitando, vou pedir para vocês comentarem e curtirem a nossa página no facebook pra ter acesso a mais conteúdo diariamente!

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