Dave Brubeck Quartet – Time Out (1959)

Tentem imaginar o mundo ocidental sem o ano de 1959. Façam um esforço. Sem me alongar fazendo listagem de eventos cito somente um: Cuba. Voltando ao que aqui nos interessa, este talvez tenha sido o ano de maior importância para o Jazz ( quando comecei a me interessar por jazz e não sabia nomes, discos, fatos, orientava-me pelo ano. Baixei muitos discos somente pelo ano de lançamento: 1959). Nesse longínquo ano Miles Davis fez o “Kind of Blue”, Charles Mingus o “Ah Um” e “Dinasty” e, é claro, Dave Brubeck e seu quarteto marcam seu espaço na história do jazz e da música ocidental contemporânea.

“Time Out” é um disco excepcional. Lembro-me da primeira audição, foi algo incrível. Não ouvia jazz (ainda) com frequência e esse álbum me arrastou para um novo universo sonoro. Talvez já tivesse ouvido “Take Five”, afinal quem não? até quem não gosta de jazz reconhece a batida 5/4 bem marcado no piano que se repete durante toda a música. Impossível esquecer Paul Desmond e seus dois temas no saxofone. Um senhor solo de bateria que mantém perfeitamente o tempo sem em momento algum se perder.

Apesar de “Take Five” tocar, até hoje, incessantemente em filmes e afins, continua sendo uma grande música e, muito atual. Entretanto, a canção que mais atrai no disco é “Blue Rondo À La Turk”, uma grande demonstração do excepcional baterista Joe Morello (debilito grande parcela no experimentalismo de Time Out à Morello). Blue Rondo é uma mescla de jazz e clássico com batida tradicional turca.

Mais de cinquenta anos depois, sabemos que foi acertada a decisão de lançar esse álbum, porém Dave Brubeck sofreu resistência da crítica e da própria gravadora. Sua música utilizava tempos diferentes do comum ao jazz (4/4). A ideia para capa era uma pintura (incomum para época). Contudo o projeto seguiu e saiu. Apesar de romper com o tempo “oficial” do jazz (que é o mesmo para o blues e o rock), Brubeck em “Three To get Ready” utiliza ritmos “primos” ao jazz: waltz e foxtrot (famosos nos anos 20 e 30), passando do tempo ¾ para o 4/4. Essa música demonstra bem a sensibilidade do quarteto na utilização de ritmos e tempos não usuais.

Obra imprescindível para jazz e o estudo do ritmo no jazz, “Time Out” marcou a música da segunda metade do século XX e ajudou a delinear o caminho para o jazz do final dos anos 1950 e toda a década de 1960. Cool-jazz de primeira!

Ps: Havendo pretensão de obter fisicamente este álbum, indico a edição tripla (2 cds e dvd) de 50 anos. Ótima remasterização, encarte recheado e o disco dois contém apresentações de Brubeck e quarteto ao vivo em Newport nos anos de 1961, 63 e 64. O dvd tem um entrevista recente com Dave Brubeck contando a história do álbum. Vale a pena!

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