Kendrick Lamar – Section 80

Kendrick Lamar é novo no cenário e mesmo assim já tem muita tradição para honrar. Oriundo de Compton, terra de gigantes do hip-hop, Kendrick tem muito o que provar. Mas por mais que sua carreira ainda seja curta, o jovem rapper californiano já começou no caminho certo.

Na ativa desde 2009, o garoto começou a chamar atenção em 2010 depois de lançar sua quarta mixtape, Overly Dedicated. Foi mais ou menos nessa época que tomei conhecimento de Kendrick. Acabei deixando-o de lado e só resolvi ouvir algo quando Lamar “estourou” para um público maior.

Esse estouro aconteceu basicamente após o lançamento de seu primeiro full-length, Section 80. E é desse release que essa resenha trata. Lançado em 2011, Section 80 é ao mesmo tempo manifesto da sonoridade dos novos rappers (B.I.G Krit, Childish Gambino, J.Cole e seus colegas de grupo Black Hippy) tanto quanto é reminiscente de toda a história do rap West-Coast.

Aliando habilmente a estética “aterritorial” que vem marcando o rap mais recente – que no geral muito lembra o trabalho de Kanye West – com uma sonoridade claramente regional – trazendo a tona todo o “swag” da costa oeste, N.W.A sempre presente – Lamar faz algo que parece impossível.

As batidas pesadas, sampleando muito sons dos anos funk e do soul, caem como uma luva para o flow de Kendrick. Ainda que possa soar um pouco arrastado, o flow do rapaz cai como boa alternativa a tendência de muitos rappers de tentarem rimar o mais rápido possível. Isso não o impede, porém, de fazê-lo em uma das melhores faixas do álbum: Rigamortis.

Fazendo uma brincadeira lírica entre sua ascensão e capacidade de se destacar dentre os rappers com um imaginário envolvendo o post-mortem, e pasmem, de uma maneira bem humorada, Kendrick mostra  suas habilidades e características nessa música. Com alguns metais de sopro dando um ar alegre e com um crescendo vocal ao longo da música – que culmina com Lamar disparando mais palavras do que você consegue acompanhar, sem perder o ritmo – Rigamortis é provavelmente uma das melhores músicas do ano passado.

Mas não é só de uma música que se faz um álbum. Section 80 com vários pequenos destaques, ainda não que no nível de rigamortis, e não decepciona. Não acho que o desenvolvimento das músicas, em ordem, seja o melhor. Só que tampouco tenho dúvidas de que não passa de uma imaturidade na produção. O tempo há de consertar isso nos para os próximos álbuns de Lamar.

Tentando ser um pouco mias sucinto dessa vez: Kendrick fez um debut marcante e que vale a ouvida. Não é um álbum que vai marcar sua vida ou mudar suas percepções sobre a qualidade do Rap como um todo. Mas o flow jazzístico e as batidas em low-tempo com certeza são cativantes. O garoto com a voz parecida a de Eazy-E (pra mim ao menos) não decepciona mesmo os que esperam um algo a mais do som dele. Recomendado pra qualquer um que se interesse por hip-hop.

E só pra não passar em branco: Vale lembrar que o blog já tem uma página no facebroik em que nós postamos outras sugestões de música e qualquer outra coisa que consideremos pertinente. http://www.facebook.com/garagemsuburbana Além disso, seus comentários, ó poderoso leitor, são mais do que bem vindos. É isso.

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Um pensamento sobre “Kendrick Lamar – Section 80

  1. Dolores disse:

    Gostei, vou tentar conhecer mais sobre o Kendrick. Valeu a dica.

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