Neu! – Neu! (1972)

Mil novecentos e setenta e um, Alemanha Ocidental. Por toda o país aparecem bandas inovadores, com novas perspectivas sobre como fazer música. Esse era o espírito do Krautrock.

Nessa nova perspectiva aparece o Kraftwerk que cunhou o termo “Musik Arbeit” para descrever a maneira como faziam sua música. Nesse ambiente criativo e inovador do Kraftwer nasce o Neu!. Formado pelos ex-integrantes Klaus Dinger(bateria) e Michael Rother (guitarra).

Com novas concepções que divergiam das do Kraftwerk, Dinger e Rother entram em estúdio, no final de 1971, juntamente com o lendário produtor Conny Plank para a gravação do primeiro Long-play: Neu! – Neu!, lançado no ano seguinte (Plank produziu grande parte das bandas alemãs do começo dos anos 1970. Entre elas o Jane, Eloy, Cluster, Grobschnitt, Guru Guru e a lista não para aí. Nos anos 80 produziu os primeiros discos da banda britânica de synthpop Ultravox. Plank também produziu o primeiro álbum do Kraftwerk). E é desse Lp que escrevo.

Quem leu minha resenha anterior(quem ainda não desfrutou desse prazer, por favor…) quando ler essas próximas frases perceberá meu gosto pela arte dos discos. As capas exercem em mim um enorme poder e, nesse caso não podia ser diferente. A capa do disco sobre o qual escrevo nesse momento é de uma simplicidade, ela é límpida. Há uma grande influência do Popart e Andy Warhol na capa idealizada por Klaus Dinger. Não há mais a dizer, somente o que a capa dizia: Neu! (“novo” em português).

Melodias simplistas, poucos acordes e bateria ‘Motorik’. Esses são os ingredientes principais presentes no primeiro álbum do Neu!. Ouça você mesmo a faixa de abertura, “Hallogallo” e preste atenção na bateria mecânica e repetitiva, bem marcado no compasso 4/4. A guitarra com wah-wah ecoa. Em determinados momentos são camadas de guitarras cheias de efeitos que nos fazem viajar e, a base continuar em sua marcha motorizada em direção à próxima faixa: “Sonderangebot”. Música com uma essência totalmente experimental. Há um riqueza de detalhes sonoros e experimentalismo que em seu começo lembra a correnteza e, em seu final, o som de metal torcido dá um tom de abertura a música seguinte.De maneira arrastada, “Weissensee” (ou “mar branco” em bom português) realmente faz lembrar o som das águas. Som muito bem traduzido pela melodia das guitarras. Todo o trabalho em torno desse disco remete de alguma forma as águas. Seja pelo nome das faixas ou até mesmo pela introdução do lado ‘B’ do disco, com a ótima “In Glück”, que começa com  um som muito similar ao som de água corrente. E continua de maneira pacata e suave, com arranjos que em certos momentos dão a impressão de estarmos em uma floresta, perto de um rio. E nessa transição de “In Glück” para “Negativland” (algo como “terra negativa”) pode se notar um contraste entre a calma da natureza e o barulho da cidade que “Negativland” traz, com sua britadeira e caos. Tire suas próprias conclusões ouvindo-as, porém, atente-se para o nome das músicas. A frase marcante da guitarra continua. Volta a cena em “Negativland” a bateria característica. Sons que parecem carros em alta velocidade são percebidos ao final da faixa que é a mais conturbada do disco. De repente silêncio!

Ouve-se alguns acordes minimalistas e esparsos… Uma voz sussurrada e desafinada começa a cantar. Sinceramente não consigo definir em qual idioma está cantada, nem quais palavras são ditas. Mas pelo título “Lieber Honig” (numa tradução livre “querida amada”), creio está em alemão. Contudo, essa faixa parece ser uma cantiga infantil tocada e cantanda por uma criança.

“Lieber Honig” termina com umas mistura de sons que podem remeter a quase tudo que passa anteriormente pelo disco. E assim se encerra o álbum. Uma obra primordial para uma época da história da música, não se restringindo somente a música. Clássico do Krautrock e do Rock em geral.

Ps. 1: Neu!- Neu! é um excelente disco para se ouvir em um transporte marítimo, barcas por exemplo. Ou mesmo em um dia chuvoso.

Ps.2:  Infelizmente o Neu! durou pouco. Após o primeiro álbum, veio Neu! 2 de 1973 e em 1975 lançaram o que seria o último registro de estúdio por anos: Neu! 75. Nesse meio tempo, Rother se juntou com o Cluster e lançaram dois discos sobre o nome de Harmonia (Musik Von Harmonia, de 1974 e, Deluxe, de 1976). Entretanto, a influência exercida pela dupla foi gigantesca. Ouça os dois álbuns de 1977 do David Bowie: Heroes e Low. Inclusive Bowie queria que músicos alemães gravassem Heroes, e entre eles estaria Rother, mas não foi possível esse encontro. Além de Bowie, Brian Eno, o pai da música ambiente, esteve muito atento à musicalidade alemã. Gravou discos com o Cluster e teve grande participação nos discos citados acima de David Bowie. As influências do Neu! não se restringem à esses dois músicos britânicos, seu “Motorik” influenciou os ex-companheiros de Kraftwerk. Em Autobahn, disco de 1974 do Kraft ouvimos os sons que remetem a carros correndo em autoestradas, bem no estilo Motorik.

Após Neu!75, Dinger formou o La Dusseldorf.  Com uma visão mais pop, foi fundamental para o som dos anos 80. Já Rother, seguiu carreira solo, lançando em 1976 seu primeiro disco: Flammende Herzen. Ótimo disco, diga-se de passagem. Guitarras hamoniosas, melodias suaves e lindas. Contudo, ainda houve tempo para mais uma reunião. Em 1986, sai Neu! 86. Esse sim, infelizmente, o último registro de estúdio da dupla.

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