Tame Impala – Innerspeaker

O inverno começa daqui aproximadamente 10 dias, até lá nós temos esse resto de outono. Pensando sobre isso eu achei que seria um bom momento pra falar de alguma banda que me lembrasse o frio ou então o inverno em si. Músicas que só de você ouvir fazem te lembrar dessa época do ano, porém o inverno ainda não chegou. Agora é o momento de aproveitar esses últimos raios de sol que “acertam” o território ao sul do Trópico de Capricórnio. Não que eu não goste de frio, muito pelo contrário, mas eu sinto que agora é o momento perfeito para falar de uma das minhas bandas favoritas. Tame Impala.

A banda formada em 2007 na cidade de Perth, Austrália tem tudo a ver com isso de aproveitar o momento e curtir o ambiente. A banda tem um som revival da psicodelia dos anos 60, com um baixo marcante e distorções nas guitarras que no conjunto da obra fazem o álbum fluir como um contínuo psicodélico de reflexão interior de 53 minutos. Devo adicionar que quando esse momento de experiência sensorial acaba, você logo se vê colocando o disco pra tocar novamente. Eu sou um tanto impossibilitado de criticar a banda porque além de ser fã deles, sou muito fã da psicodelia, então uma banda como Tame Impala acaba entrando num “Top 5 All Time Best” pra mim.

Um pôr do sol na praia australiana, totalmente relacionado a vibe da banda.

O álbum Innerspeaker foi lançado em 2010 e gravado inteiramente em uma casa numa praia australiana, ou seja, essa energia única do calor foi inspiradora e se condensou nas músicas. No que diz respeito ao “psicodélico” já citei a textura do som deles criada pelas distorções e repetições, porém a própria capa do álbum traz uma imagem muito incrível, um vale que se estende até o infinito, contendo unidades menores de si mesmo. É possível sentir uma mensagem de reflexão interior do ser e da natureza como um caminho para a compreensão do universo inteiro.

O disco abre com o single It is not meant to be que é em minha opinião uma das melhores músicas do álbum, talvez seja pelas letras que já dão indícios do estilo de vida da banda:

She doesn’t like the life that I lead

Doesn’t like sand stuck on her feet

Or sitting around smoking weed

A música é extremamente triste, falando de um cara que gostava muito de uma garota só que não era correspondido, e até mesmo ele sabia que não tinha chances com ela, porque ela é muito diferente dele mas mesmo assim fica contente em estar na presença dela:

But in all honesty I don’t have a hope in hell

I’m happy just to watch her move

Logo em seguida vem Desire be Desire go, onde o ouvinte é atingido por uma onda psicodélica sonora, com um jogo de palavras nas letras e na instrumentação a proposta de “revivalismo” é concretizada:

Everyday

Back and forth

What’s it for?

What’s it for?

Back and forth

Everyday

Aviso aos navegantes de primeira viagem, se até essa música você não foi completamente capturado pelo som de Innerspeaker, esse disco provavelmente não é para você. E não é nem por elitismo, e sim porque a banda nesses 10 minutos iniciais apresenta sua proposta, e o som não vai mudar radicalmente depois disso.

A banda em sua formação de estúdio. Da esquerda para a direita: Jay Watson, Dominic Simper e Kevin Parker

A palavra chave de Tame Impala é psicodelia, em Lucidity percebe-se a importância desse tema no som deles, nessa música eles transmitem os pensamentos de alguém tendo experiências psicodélicas:

Lucidity, come back to me, put all five senses back to where they’re meant to be

O clipe dessa música é genial, nele os integrantes colocam uma câmera de vídeo num balão de gás que chega até um ponto extremo da atmosfera, ou seja, o som deles vai avançando e tudo vai ficando cada vez mais alto e mais próximo do Universo. High as fuck.

O single Solitude is Bliss também traz mais versos incríveis de sentimentos e viagens psicodélicas, principalmente na frase:

There’s a party in my head and no one is invited

E na frase que o vocalista (Kevin Parker) repete no final da música que vai diminuindo aos poucos mas num ciclo até além da música:

You will never come close to how I feel

Após um instrumental intenso em Jeremy’s Storm, chega o momento do outro single da banda: Expectations. Não é uma favorita minha mas é ótima, falando sobre ansiedade e desapontamento (coisas que quando juntas são extremamente destrutivas):

Every now and then, it feels like, in all of the universe, there is nobody for me.

Se eu pudesse escolher cinco músicas para ouvir pelo resto da minha vida, The Bold Arrow of Time com certeza entraria na lista. Ela traz muito o som dos anos 60 mas com uma energia renovada. Iniciando com um riff limpo repetindo, o ouvinte é atingido por um som sujo e agressivo, que traz uma emoção de um rock n’ roll que tinha sido perdido, porém que agora achou alguém capaz de aguentar a sua força.

O álbum não acaba por aqui, para fechar de vez o disco conta com: Runway, Houses, City, Clouds e I don’t really mind. Uma experiência psicodélica e sentimental respectivamente.

Enfim no fim. Somos trazidos de volta para a realidade e esse fluído psicodélico segue o seu caminho rumo ao infinito. Tame Impala consegue trazer vários temas e trabalhar em cima deles com várias aproximações, mas nunca fazendo com que um tom depressivo tome conta, e sim deixando que seu som transforme completamente a carga negativa traz. Uma verdadeira injeção de energia, um calor encapsulado na música que agora nesses dias antes do início do inverno seja liberado e espalhado pelo ambiente.

Espero que esse breve texto tenha conseguido passar um pouco do que eu sinto sobre Tame Impala e que essa banda que é ainda tão nova consiga atingir mais pessoas com a sua sonoridade. Fique então com o clipe de Lucidity:

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2 pensamentos sobre “Tame Impala – Innerspeaker

  1. Danny Boy disse:

    Ótimo post, Rique! Só que sinto que você anda se inspirando em mim em relação ao tamanho da postagem. hehe

  2. frfdfrh disse:

    Nossa, verdade. Eu olhei e achei que era o Daniel escrevendo. Aí parei na metade.

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