Serge Gainsbourg – Histoire de Melody Nelson

– “Tu t’appelles comment?”
– “Melody”
– “Melody comment?”
– “Melody Nelson.”

Esse é o primeiro diálogo entre a jovem ninfeta e seu amante que passa dos quarenta anos. É disso que “L’histoire de Melody Nelson” trata. Fala sobre como um homem experiente perde o controle e a razão por uma jovem adolescente. Disco clássico e importantíssimo não somente na carreira de Serge Gainsbourg, mas para a música de forma geral. Gainsbourg ficou conhecido mundialmente pelo famoso sucesso “Je T’aime… Moi Non Plus”, lançado três ano antes, em 1968. A partir desse estrondoso sucesso, começa o novo projeto de “Monsieur” Gainsbourg: um álbum conceitual, experimental, inspirado pelo livro “Lolita”, de Nabokov. O livro foi tão influente no projeto, que a ideia original era musicá-lo. Contudo, Hollywood chegou antes, com o filme “Lolita”, de 1962, dirigido por Stanley Kubrick.

Já pela capa podemos observar a candura e sensualidade de Melody Nelson (“interpretada” por Jane Birkin, então esposa de Gainsbourg); em fundo azul-calcinha, Jane Birkin salta aos nossos olhos encobrindo os seios juvenis somente com uma pelúcia. Sabemos, entretanto, que não se pode julgar um livro (e/ ou disco) pela capa, mas esta nos chama, provoca. E sua audição não deixa por menos.

A história começa com uma frase de baixo, que a cada compasso corrido, se aproxima aos ouvidos atentos e ansiosos do amante da música. Volume aumenta; bateria entra; guitarra dá sua essência distorcida e improvisada. Som cru, arrastado. Entra a narração de Serge. Deste modo inicia,com a faixa “Melody”, que se aproxima do fim com o diálogo com o qual abri essa resenha; Jane Birkin introduz sua personagem. Sem nos deixar respirar, já que não há intervalos entre as faixas (como grande parte dos discos conceituais),  o disco continua com “Ballade de Melody Nelson”.Volta o baixo acompanhado do violão. Uma valsa nos acalanta em seguida, “Valse de Melody”, música utilizada anteriormente em comerciais. Outra grande faixa nos chama atenção, quase uma ode à personagem. Nessa curta viagem (de apenas 28 minutos de duração) permeada por elementos inovadores, como os maravilhosos arranjos de Jean-Claude Vannier, somos levados a essa mistura de rock, música francesa e funk, criando um ambiente único e simples. E somos, novamente, levados à frase arrepiante de baixo que abre o disco, e também abre a faixa que encerra a história. “Cargo Culte”, faixa que recebe os moldes da primeira. Encerra o disco de forma magnífica, com o coral crescente, dando um tom de apreensão e angústia, assim como é o fim desse homem experiente, interpretado por Serge Gainsbourg.

Dessa forma pungente, com coral e orquestra, termina a viagem da ternura, inocência e paixão. Esse foi “Histoire de Melody Nelson”, álbum até hoje muito influente. Bandas como Portishead e Placebo souberam disso, e tem versões próprias da música “Ballade de Melody Nelson”. Além de contar com a participação de Jean-Luc Ponty, nos violinos da faixa “En Melody”, onde se ouve risadas histéricas, quase orgasmáticas, o disco conta com o guitarrista britânico de estúdio Alan Parker, e o já citado, arranjador e autor de trilha sonora, Jean-Claude Vannier.

Retire meia hora de sua noite, aprecie uma bebida e deleite-se com essa pérola da música.

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