Arquivo mensal: maio 2012

Iggy Pop – Lust For Life

Uma criança feliz.

POST DA SÉRIE “TEXTOS PERDIDOS DO DANIEL, REMASTERIZADOS”.

Raiva, explosão, descontrole. Esses poderiam ser e são alguns termos muito utilizados para descrever a carreira de Iggy Pop. Não só sua carreira, mas também sua persona. Apesar disso, como um grande artista que é, Iggy não se viu limitado a essa tendência destrutiva por toda a sua brilhante trajetória. Em lust for life, Iggy se utliza de uma recém adquirida calma, quase que num tom de sobriedade.

Essa “nova” sobriedade não é nem sequer tão nova. Ou tão intrínseca ao próprio Iggy, para ser sincero. Já marcada por um certo tempo na carreira de Pop, e em especial a partir do seu álbum anterior – The Idiot – a parceria com seu amigo David Bowie formou boa parte do som de Lust for Life. E dessa figura por trás das cenas, Bowie, é que podemos ver mais claramente a “súbita” mudança de comportamento musical do ex Stooge.

Bowie, porém, não mudou Iggy. E nem queria. O velho Iggy, afinal, tinha suas – muitas – qualidades e características. Sua alegria e intensidade, por exemplo, são obrigatórias em qualquer trabalho que tenha Iggy Pop no nome. Sua temática, auto destrutiva e introspectiva também dá as caras em muitos momentos.

Outra característica interessante é, para mim, a honestidade que há na mudança sofrida por Iggy. Ele não foi domado por Bowie, tão pouco trabalhou sob obrigação e não estava realmente preso ao projeto. A nova “sensatez” veio realmente de Iggy, fruto de um aprendizado com seu amigo. É, portanto, tão honesto quanto Iggy sempre foi.

Lust for life não é tão bom quanto os trabalhos de Iggy no Stooges. Não teve também a mesma influência. E nem precisava. O álbum, pelo simples fato de ter apresentado as “massas” um dos artistas mais importantes do século XX de uma bela maneira já se faz valer. E mesmo para os que já estão familiarizados com os Stooges, ouvir Lust for life jamais será uma perda de tempo. E afinal, antes (ou depois) de toda calmaria vem uma tempestade.

PS: Sei que está curto, mas tenho meus motivos para isso. Esse texto é uma tentativa de reescrever um outro de minha autoria, só que alguns anos mais velho. Portanto, evitei passar muito do tamanho do original.

PS2: Como não sei se deixo isso muito claro, qualquer comentário – mesmo negativo – é bem vindo. Não se acanhem.

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Teenage Fanclub – Bandwagonesque


Lançado em 1991, este álbum se tornou um clássico, chegando a ser considerado o melhor do ano, desbancando o monstro Nevermind, os excelentes Loveless, do My Bloody Valentine,  Screamadelica do Primal Scream e o Out of time do R.E.M.. Isso tudo com uma simplicidade musical marcada por melodias Byrdianas e Beatle-escas contaminada por guitarras distorcidas.

A BANDA

Vindo diretamente da Escócia, o Teenage Fanclub é composto por Norman Blake (guitarra), Gerard Love (baixo), Raymond McGinley (guitarra) e tinha Brendan O’Hare como baterista na época (que depois foi pro Mogwai). A banda já lançou nove discos e tem grande importância no rock alternativo britânico, chegando a ser chamada de “A melhor banda do mundo” por Kurt Cobain, que até usava camisetas do Teenage em shows. Porém, mesmo  a aprovação de Cobain e o respeito alcançado não fizeram eles chegarem ao mainstream, levando-os a serem taxados de “Quase-famosos”.

Sem usar rótulos, eu posso dizer que o som se assemelha muito a bandas pop dos anos 60, como Beach BoysBeatlesByrds, misturado com o rock alternativo dos anos 80/90. As letras fofas e os vocais em harmonia são o que me faz pensar nessas bandas citadas acima, e isso acaba combinando muito bem com guitarras sujas e alguns solos.

O DISCO
Bom, pra falarmos do disco, precisamos falar do selo Creation Records, comandado por Alan McGee. Este mesmo selo teve papel fundamental na música ao lançar neste mesmo ano não só o Bandwagonesque, mas também o Screamadelica e o Loveless, que mais tarde concorreriam ao título de Melhor do Ano. O segundo, inclusive, chega muitas vezes a ser entitulado dessa forma, ou também como Melhor da Década. O sucesso destes álbuns pode ter sido fruto talvez da liberdade dada por McGee, que já havia lançado Jesus and Mary Chain e mais tarde descobriria o Oasis.
Lançado em 1991, o Bandwagonesque representa o mais próximo do que o Teenage Fanclub conseguiu em termos de sucesso comercial nos EUA. Seu single Star Sign atingiu um quarto lugar na Modern Rock Tracks, impulsionado pelo cover de Like a Virgin (b-side).  Na época  a banda tinha a difícil tarefa de concorrer com o grunge americano, o que, entretanto, não impediu de excursionar com o Nirvana em certas ocasiões.
Com 12 faixas, mas apenas 42 minutos, o álbum é curto. Todas as músicas são bem agradáveis e nada repetitivas. A abertura é The Concept com seus pouco mais de 6 minutos.  A letra é interessante, e eu tenho uma certa identificação. O fim me lembra While my guitar gently weeps, especificamente no solo final de guitarra que parece que nunca vai acabar. Em seguida temos Satan, que é uma espécie de interlúdio, bem barulhento e pesado, mas que acaba frustrando quem esperava por uma música mais longa. Uma pena. As faixas em diante, DecemberWhat you do to me e I don’t know, mantêm a qualidade. Então chegamos ao que eu considero o clímax do disco: Star Sign. Pra mim a melhor música do álbum ao trazer de volta aquela animação, que mesmo presente em Satan, poderia ter sido mais explorada. A partir daí temos Metal BabyPet Rock e seus metais, SidewinderAlcoholiday, a calma Guiding Star, e a esquisita Is this music?
     Concluindo, este é um dos meus discos favoritos, sem dúvida o que mais ouço atualmente.  Infelizmente só fui descobri-lo depois do show de aniversário feito aqui no Rio no ano passado (assim como aconteceu com o Screamadelica). Mas apesar de toda minha atual puxa-saquice com a banda, posso dizer que este disco realmente merece ser intitulado como um dos melhores de 1991.  

Principais músicas pra ouvir: The ConceptI Don’t KnowStar Sign e Pet Rock.

PS: Acho que vale a pena dar uma olhada na história da Creation Records. Os caras não só lançaram Jesus and Mary Chain, Oasis, Teenage Fanclub, My Bloody Valentine e Primal Scream, como também lançaram o Fuzzy Logic do Super Furry Animals e a banda Ride.

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Serge Gainsbourg – Histoire de Melody Nelson

– “Tu t’appelles comment?”
– “Melody”
– “Melody comment?”
– “Melody Nelson.”

Esse é o primeiro diálogo entre a jovem ninfeta e seu amante que passa dos quarenta anos. É disso que “L’histoire de Melody Nelson” trata. Fala sobre como um homem experiente perde o controle e a razão por uma jovem adolescente. Disco clássico e importantíssimo não somente na carreira de Serge Gainsbourg, mas para a música de forma geral. Gainsbourg ficou conhecido mundialmente pelo famoso sucesso “Je T’aime… Moi Non Plus”, lançado três ano antes, em 1968. A partir desse estrondoso sucesso, começa o novo projeto de “Monsieur” Gainsbourg: um álbum conceitual, experimental, inspirado pelo livro “Lolita”, de Nabokov. O livro foi tão influente no projeto, que a ideia original era musicá-lo. Contudo, Hollywood chegou antes, com o filme “Lolita”, de 1962, dirigido por Stanley Kubrick.

Já pela capa podemos observar a candura e sensualidade de Melody Nelson (“interpretada” por Jane Birkin, então esposa de Gainsbourg); em fundo azul-calcinha, Jane Birkin salta aos nossos olhos encobrindo os seios juvenis somente com uma pelúcia. Sabemos, entretanto, que não se pode julgar um livro (e/ ou disco) pela capa, mas esta nos chama, provoca. E sua audição não deixa por menos.

A história começa com uma frase de baixo, que a cada compasso corrido, se aproxima aos ouvidos atentos e ansiosos do amante da música. Volume aumenta; bateria entra; guitarra dá sua essência distorcida e improvisada. Som cru, arrastado. Entra a narração de Serge. Deste modo inicia,com a faixa “Melody”, que se aproxima do fim com o diálogo com o qual abri essa resenha; Jane Birkin introduz sua personagem. Sem nos deixar respirar, já que não há intervalos entre as faixas (como grande parte dos discos conceituais),  o disco continua com “Ballade de Melody Nelson”.Volta o baixo acompanhado do violão. Uma valsa nos acalanta em seguida, “Valse de Melody”, música utilizada anteriormente em comerciais. Outra grande faixa nos chama atenção, quase uma ode à personagem. Nessa curta viagem (de apenas 28 minutos de duração) permeada por elementos inovadores, como os maravilhosos arranjos de Jean-Claude Vannier, somos levados a essa mistura de rock, música francesa e funk, criando um ambiente único e simples. E somos, novamente, levados à frase arrepiante de baixo que abre o disco, e também abre a faixa que encerra a história. “Cargo Culte”, faixa que recebe os moldes da primeira. Encerra o disco de forma magnífica, com o coral crescente, dando um tom de apreensão e angústia, assim como é o fim desse homem experiente, interpretado por Serge Gainsbourg.

Dessa forma pungente, com coral e orquestra, termina a viagem da ternura, inocência e paixão. Esse foi “Histoire de Melody Nelson”, álbum até hoje muito influente. Bandas como Portishead e Placebo souberam disso, e tem versões próprias da música “Ballade de Melody Nelson”. Além de contar com a participação de Jean-Luc Ponty, nos violinos da faixa “En Melody”, onde se ouve risadas histéricas, quase orgasmáticas, o disco conta com o guitarrista britânico de estúdio Alan Parker, e o já citado, arranjador e autor de trilha sonora, Jean-Claude Vannier.

Retire meia hora de sua noite, aprecie uma bebida e deleite-se com essa pérola da música.

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Mixtape Nº2 (29/03 ~ 25/05)

Chegamos a praticamente mais um fim de mês. Chega hora de mais uma mixtape contendo apenas o crème de la crème do que foi postado na nossa querida Garagem Suburbana.

A 2ª edição da Mixtape Garagem Suburbana é especial, pois no mês de abril devido aos mais variados problemas não pudemos postá-la. Então a segunda edição contém as músicas das bandas comentadas do dia 29/03 até o dia 25/05.*

Sem mais, vamos ao que interessa:

Cap’n Jazz – We Are Scientists

Melvins – Heater Moves and Eyes

Toe – Mukougishi ga miru yume

Dover – The Flame

Fugazi – Suggestion

Bad Veins – Gold and Warm

Bombay Bicycle Club – Always Like This

Hater – Roadside

We Were Promised Jetpacks – It’s Thunder and It’s Lightning

Parteum – O Pouso

Kyuss – Space Cadet

A. A. Bondy – Oh the Vampyre

Matt Costa – Astair

Beirut – Un Dernier Verre

E como de costume segue abaixo os links para download e para stream no Grooveshark:

Download: http://www.mediafire.com/?1xsr1a28jovj0cx

**Grooveshark: http://grooveshark.com/#!/playlist/Mixtape+2/70792711

*Na próxima edição a Mixtape volta a ter o conteúdo de apenas um mês

**Novamente algumas músicas da mixtape não estão presentes na playlist do Grooveshark

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Beirut – The Flying Club Cup

Riviera francesa, primavera. Sentado em outro dos incontáveis bares prostrados a beira-mar você descansa. Já passa de meio dia e o mormaço, que há poucas horas imperava, já cede lugar a uma brisa que corre sem pressa do mar. Além de frescor traz também um pouco de sal, mas já era de se esperar. Tudo conspira para que você não se levante dessa estranha cadeira de madeira. Rústica; provavelmente já desgastada por muitos verões. Uma xícara de chá, uma bela vista e alguns aperitivos. É bom estar sozinho.

Sob a sombra das nuvens, que já engolem o sol, você vê. Pálida e imóvel – ainda bem – uma estante. Também de madeira, mas não do mesmo tipo da cadeira. Afinal de contas, não é todo mundo que pode comprar um jogo de móveis. Dentre as muitas quinquilharias alis expostas uma se destaca. Embalagem de plástico suja, confere; forma retangular, desgastada nas pontas, confere; estrategicamente posto numa angulação de 80º – ou algo assim, matemática nunca foi seu forte – para que não empene, confere. É, tudo leva a crer que se trata outro vinil largado por ai.

não foi tirada por mim ( infelizmente)

Movido por compaixão, ou pela simples vontade de vencer a inércia, você vai até a inconspícua estante para tentar descobrir a origem desse artefato musical. Quem sabe, o motivo de seu paradeiro. Quem sabe. Pega a embalagem com cuidado; não se sabe, por hora, da idade da bolacha. Beirut. Hm, parece familiar. Mais um daqueles pop-indie-folk-rock? Provavelmente. Não. É. Com certeza. Espera. 5 euros? Desde quando bares vendem vinis?*

As férias estão acabando, não custaria nada (5 euros mais impostos, na verdade) levar mais uma lembrança pra casa. Talvez  ajude a lembrar desse bar já que ele não faz muito por si mesmo nesse quesito. Fila; caixa; duas xícaras de chá (uma sem terminar, droga); um baguette e três fatias de queijo; um vinil, é, esse aqui, estava na estante. Tchau, au revoir, ah ele que se vire pra entender.

Uma semana depois, sua humilde (ou nem tanto, quem vai passar férias na Riviera francesa não pode estar tão mal) residência. Já fazem alguns dias desde que voltou. Hora de abrir o resto das malas. Souvenir da Torre Eiffel – piegas, hein? – Sweater – vai pro armário, o inverno ainda tarda – Porta copos do Van Gogh – um pouco de cultura para a sala de estar – e. E? O que é isso mesmo? Ah, aquele vinil. Já que comprou, vai ouvir, não é?

Levanta. O cansaço é evidente; o trabalho não é complacente. Mal volta de férias e a chibata invisível já se faz presente. Abre a tampa. Confere, limpa. Encarte sobre a mesa, irrelevante. Bolacha levemente gasta, não danificada. Agulha. Chiados, sempre eles. A calma antes da tempestade?

Well it’s been a long time, long time now
since I’ve seen you smile
and I’ll gamble away my fright
and I’ll gamble away my time
and in a year, a year or so
this will slip into the sea
well it’s been a long time, long time now
since I’ve seen you smile

 

Beirut não é libanesa. Tampouco francesa. Nem oriunda dos bálcãs. Só que americana não faz jus ao seu som. Talvez Nova Iorquina seja um pouco mais condizente. Um pouco de tudo, e muito de nada. Formada em 2006 na cidade que nunca dorme, Beirut é relativamente nova. Ainda assim já teve tempo suficiente para fazer seu próprio nome na extensa – e com frequência efêmera – cena indie.

The Flying Club Cup é o segundo cd da banda. Só que seu “primeiro” sendo realmente uma banda. O debut, Gulag Okerstar foi gravado quase que exclusivamente por Zach Condon, motivado por nada mais do que uma recente paixão por música balcânica e uma boa dose de talento. Ainda que tenha se transformado, a influência do leste europeu é ainda muito sentida nesse segundo cd, constantemente presente no uso de instrumentos tradicionalmente associados a região, como o acordeon. Mas também cedeu espaço a outras influências, como um pouco mais de música “tradicional” francesa.

Beirut porém, não procura se manter em um gênero. E muito menos criar algo novo. Sua busca é outra. É uma busca antiga, quase indissociável a própria música. Busca essa que provavelmente nunca vai ser finalizada e que o próprio Beirut não chega nem perto de concluir. É uma busca pela transcendência. Um olhar ritmado no fundo da alma do homem. Seja a roda tribal mais remota ou a mais bela variação de Bach, toda buscam o mesmo. Uma fuga espiritual.

 Bandolins, ukeleles, violinos, acordeões, trompete, órgãos; a lista prossegue. Todos pequenos e grandes recursos voltados ao mesmo objetivo, a construção de uma mesma camada. Uma paisagem musical, como gosto de pensar. Eu, particularmente, tenho a tendência de associar toda música a uma paisagem específica, uma visão que não dura mais do que uma fração de segundo, uma espécie fotografia forjada em minha mente.

Vejo como um pequeno exercício de memória (ainda que nunca tenha vivido-as).Paisagens se sobrepõem, desde minha caminhada até o colégio durante as manhãs até um anoitecer no meio de um monastério tibetano que provavelmente nunca conhecerei. O que importa, afinal, é a sensação. Sensação de se elevar, sintonizar-se e pôr se em um com o que escutas. Esquecer o que há a sua volta ou aguçar o que já nos cerca, o que vale é estar.

nem essa

Beirut, por exemplo, sempre me traz uma mesma imagem, indefinida como o próprio som da banda, maleável no andamento de suas canções. O vocal suave, que parece destoar de todo o resto me conduz a uma pequena doca, num porto vazio. Os violinos formam em uníssono uma corrente de nuvens, não brancas, mas de um cinza mensageiro de um profundo mal agouro para os que do mar dependem. Mar esse, que assim como o acordeon que faz-se presente até quando não está sendo tocado – a lembrança é uma ferramenta potente – vai e volta seguindo seu próprio ritmo, marcando uma dança que só ele acompanha.

Essa pequena paisagem, incompleta com toda certeza, me faz parar para pensar outra vez. Beirut é uma banda para marinheiros. É uma banda que embala as idas e vindas da vida portuária. Não há pressa para nada. A calmaria é que dita os trabalhos. Tem-se mais prazer no observar, no deixar-se conduzir do que no carregar. O mar nos ajuda, apesar de tudo.

Ajuda e castiga. O som da banda reflete isso a todo instante. Nos lembra, sonoramente, da espera. Espera pelo castigo inevitável do mar, imponente perante nossa mortalidade. Ele ali esteve, ali estará e não há nada que possamos fazer. Ora melancólico e ora alegre, muito mais  passional do que as estações. Uma divindade por si só, onipotente e onipresente O homem não é feito de terra, mas sim de mar.

Então, quando estiver cansado espiritualmente, necessitado de um conforto inescrutável e livre de pretensões, ouça Beirut. Talvez o som das docas, dos marinheiros tão acostumados a inquietude do mar e imprevisibilidade que ele traz, traga um alento para alguém mais necessitado. Afinal, ninguém melhor do que o mais angustiado para mostrar o quão importante pode ser a paz de espírito.

 *NA: Desde quando adolescentes podem escrever contos de qualidade duvidosa.

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