Bombay Bicycle Club – I had the blues but I shook them loose

Uma coisa não pode ser negada, a capa é bem bonita.

PRÉLUDIO, ou A SECÇÃO GASTA PARA CRITICAR ALGO OU ALGUÉM

Tudo é indie. Não me surpreenderia ver a um hipster mais atento discordar disso – ainda que talvez por motivos menos nobres do que por sua discordância de fato com o enunciado, mas sim com um certo orgulho e vontade de se separar de “tudo”, divago. O que há de se concordar porém, é de que, na última década, tudo que, a primeira instância, fugiu do som comercial foi taxado de indie. Fosse uma banda consagrada no meio alternativo ou um grupo de Jazz/Rumba que ganhou uma resenha favorável na Pitchfork, tudo se tornou indie.

O problema com a primeira oração, porém, não está ligado à uma interpretação rasa da questão e sim pautado na questão da legitimidade do termo indie. Indie, seria, a grosso modo, tudo que é produzido independentemente, ou seja, fora das grandes gravadoras. Ainda que muitas das ditas bandas Indies realmente sejam Indies, tenho grandes dúvidas quanto ao uso do termo em bandas como Arctic Monkeys e Strokes. Até porque, indie, assim como alternativo, ou popular, não é um estilo e sim um estado comercial, logo, uma banda pode exercer o mesmo som ao longo de sua carreira e pular de categorias.

RESENHA PRIMEIRA PT, ou QUANDO PASSO DO BUTTHURTISMO PARA O CRITICISMO

A banda que me proponho fala sobre é, na maior parte das vezes, posta nessa grande mistura chamada de indie. Resolvi então, para efeito de curiosidade, pesquisar algumas outras categorizações à ela dada. Dentre muitas, uma me soou interessante, a de post-punk revival. Mas, ainda que não seja discrepante com o som da banda, usar essa tag seria sinal de muito pedantismo. Por isso optarei por não fazer uma análise genérica da banda, ainda que ela não seja suis generis.

É verdade, porém, que como boa parte das bandas já surgidas, o Bombay Bicycle Club teve uma origem independente.  Só que, diferentemente de boa parte das bandas já surgidas, o Bombay Bicycle Club chegou ao “sucesso” rapidamente. Em pouco tempo, antes mesmo do lançamento de seu primeiro cd (que resenharei daqui a pouco), a banda já era queridinha da mídia alternativa. E como dizem – ou não – nem todo sucesso é benéfico -definitivamente acabei de inventar isso- e isso acabou pondo pressão demais para o primeiro release da banda.

RESENHA SEGUNDA PT, ou COMO O HYPE PODE E VAI INFLUENCIAR NO RESULTADO FINAL

Tendo a dizer que, de todos os males que podem acercar uma banda, o hype tende a ser um dos mais destrutivos. Para quem não conhece o termo, Hype seria toda a antecipação e cobrança imposta por parte da mídia e dos fãs à um trabalho que ainda não foi lançado. Essa antecipação costuma atrapalhar não só na criação do produto – atrasos, cobranças da gravadora, pressão dos fãs, cobranças da gravadora, pressão midiática e cobranças da gravadora costumam ser causas comuns – mas também na própria maneira em como o produto vai ser interpretado pelo ouvinte.

No caso do Bombay Bicycle Club o efeito foi forte. Ainda que na época o cd tenha sido bem aceito – e ainda é – o hype pesou bastante no julgamento de quase todos que tomaram conhecimento da banda. Logo, gostaria de deixar claro que, por mais que tente me distanciar dele, eu também fui atingido por esse hype e não será fácil escrever limpo de preceitos.

IHTBBISTL (que nome) é um bom cd. Diria ainda que é um dos meus cds favoritos vindo dessa nova leva de bandas britânicas. Tem toda aquela pegada post-punk característica, com guitarras melosas, baixas mas quem tendem a ter pequenos espasmos sonoros de tempos em tempos. Leva consigo também toda a levada mais marcada que o post-punk tende a ter, com um baixo mais claro e limpo, em contraste com a guitarra distorcida.

E, infelizmente, o som não passa muito disso. Por mais que eu realmente creia que o som da banda é muito bem executado e esteticamente coeso, não posso dizer que ele é complexo. Dentro das suas pequenas harmonias e timbres similares o cd diz muito e chega a quase que lugar nenhum. Tanto que acho que ao ouvir a sequência Evening/Morning-Dust on the ground-Ghost-Always Like This, qualquer ouvinte já teria uma base suficiente para o cd.

Ainda assim, digo que é um dos meus cds favoritos. Mas é claro, não há nada mais natural. Sempre gostei de sons mais calmos, ainda que pautados nas bases do rock e, BBC não foge em nada a essa regra. Com um sotaque britânico forte e uma alternância bem agradável entre sussurros e tons de voz um pouco mais elevados, Jack Steadman solta pequenas péloras sobre a compreensão adolescente do mundo ao seu redor (afinal, os membros da banda não passavam de 19 anos na época de lançamento do cd):

“Always plan but i never get things done
I walk in the room and see you all sitting around
‘And the love that you give is such a familiar sound’
You just fly straight up and come the fuck down
 You see your house fall ‘cause you built it on the wrong ground”

Outra coisa que também me atraiu para o som da banda foi a presença de instrumentos de corda “não usuais”. Até porque não é todo dia que uma banda de rock tem um banjo e um bandolim – ainda que as novas bandas de rock mais calmo venham apostando em combinações exóticas – e isso acaba por dar uma pequena impressão de exclusividade ao som da banda. Não é complexo musicalmente, mas ainda assim, como tudo que é exótico, causa um estranhamento prazeroso e é isso que basta para que eu goste dela.

Não me estenderei muito, pois, sinceramente, não há muito o que dizer. O som é bem simples, com cada instrumento dividindo a atenção do ouvinte em certos pedaços de cada música, tornando assim uma receita básica em algo esteticamente interessante,  mas ainda em falta de uma maior inovação. Como disse, após aquela sequencia de músicas poderosas e compactas, todo o outro cd parece cair por terra em um pequeno marasmo sonoro.

RESENHA PT 3, ou CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como se trata de uma ocasião especial (mas não exatamente rara) gostaria de dar dois vereditos diferentes sobre esse cd. O primeiro, do meu lado pseudo-crítico e focado na imparcialidade e na crítica objetiva, tende a dizer que esse é um cd não muito acima do bem executado. Não é medíocre e executa bem o que propõe, mas ainda assim está longe de ser uma obra prima. Já o meu lado pautado no gosto e na opinião, o “Daniel à paisana”, vai dizer que esse é um puta álbum e que todo mundo deveria ouvi-lo. Com isso em mente, para evitar discrepâncias, direi que é um álbum que todos deveriam ouvir, mas com um pé atrás, sem pretensões de procurar uma nova obra prima a cada nota.

Acho que isso é tudo pessoal, sem adendos dessa vez. Vejo vocês na próxima quando eu farei um review ou de Songs we Sing do Matt Costa ou de Illmatic do Nas.

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