Fugazi – Fugazi

Já falei de como o Fugazi é, provavelmente, a banda com as melhores fotos??

Antes de começar, gostaria de fazer um minuto de silêncio pela versão original que estava quase finalizada desse texto que vos escrevo, que por obra divina, padeceu antes de ver a luz do dia.

PRELUDIO, ou COMO EU DEVO APRENDER A SALVAR AS PORRAS DOS TEXTOS EM RASCUNHO

Tá, tudo bem, esse título não tem nada em relação ao que vai ser dito, mas preciso extravasar. Agora sim, vamos nessa:

Poucos são os artistas que conseguem alcançar o sucesso aliado à qualidade sonora. Mais raros ainda são os que o conseguem fazer em duas fases diferentes de suas carreiras. Só que no caso do Fugazi isso aconteceu não uma vez, mas duas. Ian Mackaye (ex-Minor Threat) e Guy Picciotto (ex-Rites of Springs) já eram figurinhas carimbadas da cena hardcore americana quando resolveram se juntar ao baixista Joe Lally e ao baterista Brendan Canty para formar o Fugazi. E, na minha opinião, ambos não poderiam imaginar o impacto que teriam em toda a cena hardcore, quase que estabelecendo todo o estilo do post-hardcore. Mas esse impacto foi sentido no exato momento em que se ouviu o primeiro EP da banda.

Juntando toda a ética DIY – que eles levariam muito a sério ao longo de toda a sua carreira, cobrando no máximo 5 dólares por show, não usando seguranças e, principalmente, evitando as grandes gravadoras – com uma maturidade que não era vista a tempos no meio, o Fugazi foi o empurrão que faltava para que a cena do hardcore pudesse se considerar coisa de gente grande. E não foi à toa.

A BENDITA RESENHA PT 1, ou COMO EU APRENDI A NAO ME PREOCUPAR E AMAR O PUNK (E SUAS INFINITAS VERTENTES)

O post-hardcore é, sem margem de dúvida, um gênero mal apresentado ao “grande público”. Apesar de sua rica história e cena sempre atuante e presente, o post-hardcore, assim como outros gêneros, vem sofrendo ao longo da última década com transformações sonoras e estéticas mais voltadas ao sucesso comercial. Boa parte dessa “nova leva”  do post-hardcore, ainda que compartilhe basicamente o mesmo som com as bandas antigas como Fugazi, parece mais preocupada em quantas tatuagens cada membro da banda tem do que com realmente fazer música. Assim como o emo, o gênero está cada vez mais focado na estética do que com a própria música dita.

É claro, existem bons representantes dessa nova safra. Bandas como Alexisonfire e Bear Vs Shark são sim de boa qualidade, mas ainda estão soterradas por muitas outras bandas bem duvidosas. Não há como não perceber a mudança de foco das letras,  que antes tratavam da mudança, da vontade de mudar de toda uma geração para pequenas estórias sobre desilusões amorosas (e nem sequer bem executadas liricamente).

Mesmo com tais mudanças, o post-hardcore não deixa de ser um gênero significante, e, em parte, por causa do próprio Fugazi. Como quase todo gênero, o post-hardcore surgiu de uma mistura inovadora de várias influências e o Fugazi ajudou a estabelecer tal quadro. Com uma junção da ética e atitudes do DIY de bandas hardcore como Black Flag e o próprio Minor Threat com a vontade de amadurecer sonoramente de bandas de post-punk como o Minutemen e Husker Dü, o Fugazi conseguiu, entre outras coisas, estabelecer não só uma identidade própria mas uma que se confunde com a do próprio Post-hardcore.

A BENDITA RESENHA PT 2, ou FIGHT FOR YOUR RIGHT TO FIGHT 

Não poderia deixar de postar essa foto

E por isso mesmo, Fugazi não seguiu regras. Pelo contrário, ele as estabeleceu. Usando guitarras rápidas, distorcidas em constantes e passionais riffs que dialogavam com uma linha de baixo frenética e marcada – uma clara influência do Minutemen (para mim ao menos) – a banda já estabelecia desde o seu primeiro ep o seu som característico.

I don’t want the news
I cannot use it
I don’t want the news
I won’t live by it
Sitting outside of town
Everybody’s always down
Tell me why?
Because… they can’t get up
Ahhh… Come on and get up
Come on and get up
But I don’t sit idly by
Ahhh…
I’m planning a big surprise
I’m gonna fight for what I want to be

Ainda que tenha a banda tenha produzido letras interessantes e à par com a sua mensagem de inquietude social aliada à uma vontade de mudança, o Fugazi parecia não se importar tanto com o que era dito, mas sim com como o era dito. Os vocais intercalados e minguantes de MacKaye e Picciotto, diferentemente de outras bandas, compartilhavam de sua posição privilegiada com as guitarras, quase que em uma guerra para a atenção.

E assim como beberam das fontes do post-punk – um som mais elaborado e maduro, mais disposto a experimentar sem repúdio a proeza técnica – Fugazi se aproveitou das influências hardcore. Suas guitarras soando em pequenas e curtas repetições, quase que como numa máquina e sua inegável, profunda e até brutal honestidade não deixam duvidas de que a banda é também muito ligada ao hardcore.

Why can’t i walk down a street free of suggestion?
Is my body the only trait in the eye’s of men?
I’ve got some skin
You want to look in
There lays no reward in what you discover
You spent yourself watching me suffer
Suffer you words, suffer your eyes, suffer your hands
Suffer your interpretation of what it is to be a man
I’ve got some skin
You want to look in
She does nothing to deserve it
He looks at her cause he wants to observe it
We sit back like they taught us
We keep quiet like they taught us
He just wants he wants to prove it
She does nothing to remove it
We don’t want anyone to mind us
So we play the roles that they assigned us
She does nothing to conceal it
He touches her ‘cause he wants to feel it
We blame her for being there
But we are all here
We’re all… guilty

Honestidade essa que é incomum em qualquer gênero, de qualquer época. Diria que é inclusive a marca de um grande artista. A honestidade, quer seja sobre sua situação, seja sobre suas ideias, sobre suas emoções, ou só a honestidade de fazer o que lhe é necessário, é sempre um bom sinal da obra de um artista. E com o Fugazi não foi diferente. Durante toda a sua carreira a banda sempre manteve seus ideais intactos, vendendo inclusive mais de um milhão de cópias de seu trabalho somente por meio de gravadoras alternativas.

A CONCLUSÃO, ou PRECISO PARAR DE ME ALONGAR PARA NÃO COMEÇAR A TORRA A PACIÊNCIA DOS LEITORES

Fugazi não salvou o rock. Nem o punk. Nem sequer o hardcore. Mas sua honestidade e sua dedicação para a mensagem que tentavam passar foram um empurrão na direção certa em um gênero que estava começando a se perder. Mas sejamos sinceros, qualquer gênero merece se perder se for para achar o seu próprio Fugazi.

Diria que qualquer um que se interessa por música, e em especial por uma música mais rápida, deve no mínimo ouvir esse ep do Fugazi. Mesmo que sua percepção sobre o que é ou não é o hardcore não venha a mudar, com toda a certeza você descobrirá um pouco mais do que a música honesta é capaz de produzir.

POST-SCRIPTUM 1 – Preciso parar de citar Minutemen em todo texto que escrevo, está ficando incomodo demais.
POST-SCRIPTUM 2 – Preciso também começar a salvar o rascunho do texto. E isso fica de sugestão para todos os que estão lendo.

 O vídeo não poderia deixar de ser ao vivo, não é?

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