Radical Face – Ghost

Uma casa contando histórias, esse é o conceito imaginado por Ben Cooper, membro único do Radical Face. Esse álbum, Ghost, é um tanto antigo (2007), porém acho interessante começar por ele para futuramente falar da sua nova trilogia que será lançada mais recentemente.

Ben Cooper, nascido em Jacksonville, Florida, já participou de diversas bandas onde já tocou de tudo, de violão até piano. No seu projeto Radical Face nota-se as influências da música folk e um tanto de eletrônica, principalmente pelo uso de sintetizadores. Sua voz marcante, letras profundas e melodias etéreas, são características excelentes de suas músicas.

Vou começar falando então de seu segundo álbum, lançado em 2007: Ghost. Cooper, resolveu desenvolver um conceito de que as histórias que ocorrem em uma casa, são incorporadas por esse lugar. Cada música trata portanto de uma dessas histórias incorporadas na casa dos personagens. O conceito é interessante, pois mostra como o lugar onde vivemos é importante para nós nos mais diversos níveis, não apenas como um lugar para dormir e comer, é também um lugar onde emoções e relações são criadas e desenvolvidas.

O álbum inicia-se com Asleep on a Train, uma intro instrumental que cria uma expectativa da atmosfera do disco. Logo em seguida ouvimos Welcome Home, na minha opinião uma das três melhores músicas do álbum. Ela já foi usada em um comercial da Nikon e em um episódio da série britânica Skins. Essa música traz um sentimento de descanso após um longo período de sofrimento principalmente notado nesta parte da letra: Peel the scars from off my back/I don’t need them anymore. O próprio nome da música nos induz à pensar nessa paz interior obtida após tempos tempestuosos.

Let the River In, traz uma história de uma infância distante e que não volta mais, porém muito marcante na vida do personagem, notado nessas parte da letra: Then let the river in/We might drift away, but we’ll find our way again. Após esta música, Glory, nota-se que durante a progressão da música o personagem começa desacreditado de mudança e que percebe sua pequenez em relação aos fatos e como suas decisões têm pouca influência ao seu redor, porém no final ele compreende esta mensagem de que o futuro há de ser melhor e finaliza com uma mensagem positiva de que mesmo depois de ferido com o tempo, as pessoas são capazes de se adaptar e sobreviver aos desafios futuros, e que não se deve ter arrependimento de nada do que foi feito antes. Toda a mensagem da letra e o arranjo musical fazem esta ser sem dúvida uma das melhores músicas do álbum.

A próxima música que eu considero muito importante é Wrapped in Piano Strings, que conta de uma forma genial a ideia de que as memórias das pessoas fica presa nas casas na forma de fantasmas, esses fantasmas que assombram não só a casa mas como as pessoas que nela habitam. Nessa história eu interpreto como um homem morrendo longe de casa e sua mulher sofrendo sozinha e tendo que viver com as memórias de felicidade existentes na casa, a história é contada do ponto de vista do marido, observando toda essa tristeza de sua mulher. Um dos versos mais marcantes para mim é: I sat and watched you as your ring/Slipped off and rolled across the kitchen floor. Onde interpreto como essa visão do espírito do marido observando e rondando a sua mulher enquanto ela sofre com a perda dele.

Haunted trata novamente do tema de que as casas guardam as memórias dos antigos moradores e que essas memórias se transformam em fantasmas que assombram os novos moradores: I think we’re haunted/That we’re never alone. Na próxima música, Winter is Coming, temos uma metáfora de que o inverno se aproxima se arrastando pelo jardim e tenta capturar os moradores da casa, essa metáfora pode ser interpretada como um medo da solidão que geralmente é associada ao inverno, e que nós vemos esta solidão chegando, porém não há nada que possa ser feito. O álbum finaliza então com Homesick, que é uma pequena história sobre duas pessoas que se amavam e se distanciaram e agora suas memórias de tempos felizes vagam solitárias.

Ghost é uma experiência musical única e que trata de diversos temas possivelmente “batidos”, porém através de uma abordagem pouco convencional, o que justamente faz com que ele seja um álbum apaixonante. Em 2010, Cooper lançou um EP chamado Touch the Sky com uma versão diferente de Welcome Home e uma versão acústica de Glory. Em outubro de 2011, ele iniciou o lançamento de sua trilogia The Family Tree, com o álbum The Roots, que mantém uma atmosfera próxima de Ghost, porém esse álbum fica pra uma próxima review. Segue então a música Welcome Home:

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