Andrew Jackson Jihad – People Who Can Eat People Are The Luckiest People in the World

Bem, se apresentar é difícil e por isso mesmo vou deixar vocês me conhecerem ao longo destes reviews. Se no fim das contas vocês não me conhecerem é porque não tinham nada para conhecer. De qualquer maneira, partirei direto para o review de um album bem especial, de uma banda bem especial:

ANDREW JACKSON JIHAD
PEOPLE WHO CAN EAT PEOPLE ARE THE LUCKIEST PEOPLE IN THE WORLD


Folk-punk é um gênero complicado. Como na maior parte dos estilos, toda banda tem suas diferenças (e similaridades) com seus companheiros de estilo. Apesar disso, o Folk-punk é comparativamente um estilo sem muitas divergências. E o que faz então o AJJ ser uma banda especial no estilo? Poderia-se dizer que é o tom mais alegre da banda (ainda que somente neste release), mas eu acho isso muito simplista. Seria então a voz aguda do vocalista, Sean Bonnete? Também não. Então só podem ser as letras compostas pelo próprio Sean? Quase. Para mim, o que define este álbum é o conjunto da obra.

O álbum já abre com uma música que apresenta bem os temas que virão a compor o álbum. Em Rejoice, Sean diz que apesar de tudo de ruim que possa, e vá, nos afligir, não devemos fazer nada que não seja comemorar. E isso tudo enquanto melodias rápidas e alegres de banjos, violões e instrumentos de sopro levam a música pra frente, e daí o álbum corre, sempre nessa mesma linha. “Mas porra, isso não soa como punk e sim como uma mistura bizarra entre High School Musical e country!” De fato, falando desse jeito, a banda parece não merecer nem um pouco o nome de punk. Só que isso, é simplesmente ignorar as letras, que apresentam um ponto de vista muito mais cínico e inteligente do que todos os High School Musicals, Hannas Montanas e derivados conseguiriam produzir, juntos. Um bom exemplo disso é a música people:

People are wasteful, they waste all the food.
People are hateful, and people are rude.
But God I love some people sometimes, because people are very very special.
And people are impatient, they dont know how to wait.
And people are selfish, people are prone to hate.
But God I love some people sometimes, because people are the greatest thing to happen.

Nenhum deles conseguiria mostrar um otimismo tão profundo ao mesmo tempo em que expõe o quão ruins são as pessoas. Mas isso é porque o AJJ não é apenas uma banda punk que só sabe reclamar do mundo. Não, eles conseguem mais do que isso, eles compõe músicas que mostram não só o conflito (tema favorito dos punks) mas também a honesta ingenuidade e a esperança de que as coisas vão mudar que, no fim das contas, são o que fizeram o punk. E a própria banda mostra isso logo no início da música Brave is a noun:

I could go off the deep end.
I could kill all my best friends.
I could follow those stylish trends.
But God knows I could make amends.
But I’ve got an angry heart.
Filled with cancers and poppy tarts.
If this is how you folks make art it’s fucking depressing

E é para mim, na música Survival Song em que eles melhor aliam todo esse modus operandi de revolta punk a um ponto de vista positivo e que mostra que há mais na vida do que gritar as suas frustrações sem procurar ao menos um jeito de sobreviver:

And I give a thank-you to my father for not raising me.
And I give a finger to my step-father for beating me.
And I give props to myself for achieving.
And god damn I’m glad that I survived.
And god damn I’m surprised that I survived

Ainda assim, com um lirismo de primeira classe, a banda não é perfeita. Os sons, que no fundo são o que importam na música, não se destacam em relação aos de outras bandas similares. Além disso, talvez por escolha da própria banda, as letras acabam sendo limitadas demais e expressando um ponto de vista não muito “novo”, ainda que seja inusitado para uma banda punk.

No fim das contas, People Who can eat People é um release bem interessante do AJJ que os ajudou a se distanciar de muitas outras bandas ao aliar a vontade de mudança do punk com um pouco mais de maturidade que muitas vezes falta a esse tipo de banda. Apesar disso, a banda não consegue fugir, musicalmente, à sombra imposta pelo Neutral Milk Hotel que é uma das maiores influências ao estilo. Essa influência do NMH é bem clara, e é até reforçada tendo em conta que a banda viria a regravar o Aeroplane Over The Sea inteiro, e chegou a incluir um cover de Two Headed Boy em um de seus releases. Mesmo com tudo isso, é um bom release e que vale pelo menos uma ouvida, nem que seja só pelo otimismo dos caras. E como eles mesmos dizem:

“theres a bad man in everyone dont matter who we are
theres a rapist and a nazi living in our tiny hearts”

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