Arquivo mensal: fevereiro 2012

Andrew Jackson Jihad – People Who Can Eat People Are The Luckiest People in the World

Bem, se apresentar é difícil e por isso mesmo vou deixar vocês me conhecerem ao longo destes reviews. Se no fim das contas vocês não me conhecerem é porque não tinham nada para conhecer. De qualquer maneira, partirei direto para o review de um album bem especial, de uma banda bem especial:

ANDREW JACKSON JIHAD
PEOPLE WHO CAN EAT PEOPLE ARE THE LUCKIEST PEOPLE IN THE WORLD


Folk-punk é um gênero complicado. Como na maior parte dos estilos, toda banda tem suas diferenças (e similaridades) com seus companheiros de estilo. Apesar disso, o Folk-punk é comparativamente um estilo sem muitas divergências. E o que faz então o AJJ ser uma banda especial no estilo? Poderia-se dizer que é o tom mais alegre da banda (ainda que somente neste release), mas eu acho isso muito simplista. Seria então a voz aguda do vocalista, Sean Bonnete? Também não. Então só podem ser as letras compostas pelo próprio Sean? Quase. Para mim, o que define este álbum é o conjunto da obra.

O álbum já abre com uma música que apresenta bem os temas que virão a compor o álbum. Em Rejoice, Sean diz que apesar de tudo de ruim que possa, e vá, nos afligir, não devemos fazer nada que não seja comemorar. E isso tudo enquanto melodias rápidas e alegres de banjos, violões e instrumentos de sopro levam a música pra frente, e daí o álbum corre, sempre nessa mesma linha. “Mas porra, isso não soa como punk e sim como uma mistura bizarra entre High School Musical e country!” De fato, falando desse jeito, a banda parece não merecer nem um pouco o nome de punk. Só que isso, é simplesmente ignorar as letras, que apresentam um ponto de vista muito mais cínico e inteligente do que todos os High School Musicals, Hannas Montanas e derivados conseguiriam produzir, juntos. Um bom exemplo disso é a música people:

People are wasteful, they waste all the food.
People are hateful, and people are rude.
But God I love some people sometimes, because people are very very special.
And people are impatient, they dont know how to wait.
And people are selfish, people are prone to hate.
But God I love some people sometimes, because people are the greatest thing to happen.

Nenhum deles conseguiria mostrar um otimismo tão profundo ao mesmo tempo em que expõe o quão ruins são as pessoas. Mas isso é porque o AJJ não é apenas uma banda punk que só sabe reclamar do mundo. Não, eles conseguem mais do que isso, eles compõe músicas que mostram não só o conflito (tema favorito dos punks) mas também a honesta ingenuidade e a esperança de que as coisas vão mudar que, no fim das contas, são o que fizeram o punk. E a própria banda mostra isso logo no início da música Brave is a noun:

I could go off the deep end.
I could kill all my best friends.
I could follow those stylish trends.
But God knows I could make amends.
But I’ve got an angry heart.
Filled with cancers and poppy tarts.
If this is how you folks make art it’s fucking depressing

E é para mim, na música Survival Song em que eles melhor aliam todo esse modus operandi de revolta punk a um ponto de vista positivo e que mostra que há mais na vida do que gritar as suas frustrações sem procurar ao menos um jeito de sobreviver:

And I give a thank-you to my father for not raising me.
And I give a finger to my step-father for beating me.
And I give props to myself for achieving.
And god damn I’m glad that I survived.
And god damn I’m surprised that I survived

Ainda assim, com um lirismo de primeira classe, a banda não é perfeita. Os sons, que no fundo são o que importam na música, não se destacam em relação aos de outras bandas similares. Além disso, talvez por escolha da própria banda, as letras acabam sendo limitadas demais e expressando um ponto de vista não muito “novo”, ainda que seja inusitado para uma banda punk.

No fim das contas, People Who can eat People é um release bem interessante do AJJ que os ajudou a se distanciar de muitas outras bandas ao aliar a vontade de mudança do punk com um pouco mais de maturidade que muitas vezes falta a esse tipo de banda. Apesar disso, a banda não consegue fugir, musicalmente, à sombra imposta pelo Neutral Milk Hotel que é uma das maiores influências ao estilo. Essa influência do NMH é bem clara, e é até reforçada tendo em conta que a banda viria a regravar o Aeroplane Over The Sea inteiro, e chegou a incluir um cover de Two Headed Boy em um de seus releases. Mesmo com tudo isso, é um bom release e que vale pelo menos uma ouvida, nem que seja só pelo otimismo dos caras. E como eles mesmos dizem:

“theres a bad man in everyone dont matter who we are
theres a rapist and a nazi living in our tiny hearts”

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Beach House – Teen Dream

A zebra nada mais é que um cavalo preto e branco. Assim começa este álbum banda Beach House lançado no começo do ano de 2010. Em seu terceiro disco, Beach House traz uma mistura de sentimentos acompanhados de sons eletrônicos e distorções que criam uma atmosfera incrível. Teen Dream é uma experiência com o dream pop, estilo esse que é caracterizado por sua textura etérea. O estilo da banda já é jogado logo na primeira música e no nome do álbum, fazendo com que você se sinta imerso no universo criado por eles.

Teen Dream é sobre amores perdidos, reconciliações e paixões rápidas. Começando com “Silver Soul” já sentimos a atmosfera romântica proposta pela banda. Essa atmosfera porém parece ser substituída logo por um ambiente de tristeza, começando em “Walk in the Park” quando os vocais sombrios de Legrand falam de como as coisas não são mais como eram antes e só o tempo dirá o que vai acontecer, esse mesmo tema de mudança é jogado em “Used to be” porém logo após em “Lover of Mine” essa frase causa grande impacto: “The only thing you’ve got, you know you’re better without it”, esse verso serve como gancho para os sentimentos da próxima música “Better Times”, que traduz os sentimentos do “protagonista” do álbum cada vez que vê a pessoa que ele estava junto antes de se afastarem.

10 Mile Stereo é com certeza a melhor música do álbum, todos os sentimentos passados pela letra e pela melodia formam uma combinação perfeita e realmente mostram a cara de Beach House e seu dream pop. O álbum finaliza com duas músicas que falam sobre recomeço e realmente mostram esses momentos já traduzidos pelo nome do disco. Sonho Adolescente, paixões que vêm e vão e coisas que só o tempo resolve. Essa é a mensagem passada por eles após essa “viagem” de 48 minutos à esse universo.

Teen Dream foi citado por vários sites como um dos melhores álbuns de 2010, e minha opinião (mesmo 2 anos após o lançamento do álbum) é a mesma deles, 2010 foi um ano interessante para a música e Teen Dream certamente colaborou com isso.

Este ano Beach House volta com mais um álbum, Bloom. Esperamos que novamente esse dueto de Maryland nos surpreenda com o seu som. Segue aqui o vídeo de Zebra, o opener de Teen Dream, que inicia essa viagem onírica de Beach House.

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O começo

Opa galera, não sei como começar esse post e por isso serei direto:

O blog, criado por ideia do Rique, vai ser a nossa maneira de falar para  vocês o que nós pensamos sobre música
e de compartilhar isso com vocês.

O resto, vocês vão ver com o tempo.